quinta-feira, 24 de maio de 2018

Riot - Armor Of Light (2018)

Eu venho avisando desde o ano passado e quem frequenta sempre o Terreiro ficou careca de ver eu falar que Riot lançaria um dos grandes discos de 2018 e em 26 de Abril isso se concretizou!

"Armor Of Light" é o 16° disco da veterana banda de Nova Iorque é o segundo lançamento após o falecimento de seu lendário líder Mark Reale, que esteja aonde estiver em seu descanso eterno, sem a menor dúvida posso afirmar que ele está muito orgulhoso do legado que sua banda continua escrevendo e honrando.
O baixista Donnie Van Stavern e o guitarrista Mike Fryntz foram muito felizes com as escolhas do alienígena/vocalista Todd Michael Hall, o novato e competente guitarrista Nick Lee, responsável por dividir um legado imenso nas seis cordas com Mike e o trator responsável pela bateria, no grande Frank Gilchriest.
Com o pé no acelerador, o disco abre com a veloz “Victory”, um dos primeiros singles do disco. Vigorosamente pesada, a música serve de bom aperitivo para o massacre que está por vir ao longo do play. Riffs cortantes e uma cozinha esmagadora impressionarão tanto velhos, quanto novos ouvintes e fãs. Seus solos são bem inspirados e são sustentados por uma cozinha que não deixará nada em pé! Todd, já desde seu primeiro disco com o Riot já se mostrou uma escolha corretíssima, algo que o próprio Reale faria; agora mais entrosado com a banda, da um show de interpretação, sempre técnico e com muita potência!!!




“End Of The World” tem um coro bem legal no começo, algo que até dá indícios para um daqueles Hardões que foram a marca da banda nos anos 70, mas não amigo! O pau fecha mais uma vez em uma faixa de cozinha brutal, baixão na cara e um trabalho de pedal duplo novamente impressionante!!! O veterano Frank esbanja saúde espancando sem o menor pudor o seu kit de bateria. As guitarras se revezam entre riffs velozes e cavalgadas, sempre complexas e com muito peso! Os solos tomam as rédeas da música alternando entre momentos de cadência, velocidade e passagens complexas, mostrando todo o poder da dupla Mike e Nick – poderia ate chamar de trio de guitarristas, já que o trabalho e a devoção de décadas de Reale à frente da banda, poderá ser sentido ao longo de todo o disco. Outra coisa a se destacar em “End Of The World” é seu refrão grudento e instigante!


Dando sequência no trem desgovernado que é Armor Of Light, vem a estúpida “Messiah” fazendo uma crítica bem inteligente aos falsos deuses. A faixa é velocidade e brutalidade do início ao fim com sua pegada totalmente Speed Metal e “paradinhas” que quebrarão qualquer pescoço. A música tem riffs muito bem construídos e performances notáveis por parte do vocalista Todd Michael Hall, já veterano de cena mas que canta como fosse um garoto. Que voz!! Outro que merece total destaque mais uma vez é o baterista Frank. O cara é um trator desgovernado e mesmo usando e abusando de muita, muita velocidade, não larga o felling em nenhum momento, sempre com viradas bem sacadas.
“Angels Thunder, Devil's Reign” não deixa a peteca cair e continua com aquela pegada alternada entre momentos de velocidade e passagens mais cadenciadas de derrubar o pescoço de um rinoceronte! O baixo chama os trabalhos nessa faixa com um solo curtinho mas bem, eficiente! Seu refrão é de um bom gosto extremo e com certeza não sairá da cabeça dos ouvintes. Certamente essa será um dos momentos mais festejados nos shows, caso ela seja tocada ao vivo.

“Burn The Daylight” traz uma pegada bem semelhante ao que a banda fez no progressivo The Privilege Of Power de 1990 e em meio ao seu instrumental pesado, traz diversas mudanças de tempo bem legais. Essa alternância nas guitarras, ora mais intrincadas, ora com riffs mais simples e Hard Rock, são calçadas mais um vez por uma cozinha esmagadora e vocais agudos muito potentes. Os solos são bem legais e com essa faceta mais progressiva são um dos grandes destaques do play nesse quesito. O grande mérito do disco é ver as guitarras solando maravilhosamente bem enquanto a cozinha não fica apenas de mera espectadora. O baixo e a bateria mudam o rumo das coisas e os solos acompanham inspiradamente. Peço atenção nessa faixa, uma das melhores do disco.
Outra que virou single e trouxe um clipe simples, porém legal foi a veloz “Heart Of A Lion”. Pra quem conhece a banda, certamente fará uma ligação imediata do riff de seu começo com a clássica Fight Or Fall de clássico Thundersteel de 1989. A bateria da as cartas no tom da música e mais uma vez o baterista Frank esbanja uma vitalidade absurda. Como diz aquele narrador da ESPN, QUE HOMEM!
Os riffs são simples e o vocal de Todd é mais uma vez altíssimo. O refrão é curtinho, empolgante, melódico e extremamente grudento e seus solos seguem essa mesma linha. O clima é quebrado por uma passagem cadenciada e complexa mostrando todo o entrosamento e a qualidade dos músicos pra depois cair novamente na pancadaria. Um verdadeiro presente ao metal oitentista e aos fãs da banda.


“Armor Of Light” é a encarregada de batizar o disco. Sua pegada direta desemboca em solos também rápidos e cheios de muito felling. Os duelos entre a dupla Nick e Mike são de um bom gosto tremendo ao longo do disco e nessa faixa não podia ser diferente. Mais uma música com um refrãozão marcante que promete ser cantada em uníssono nos shows da banda. Todd é incrível nessa música e se posta como uma das grandes vozes atualmente.
“Set The World Alight” é o primeiro oásis de calmaria do disco. Com um Groove diferente, guitarras mais limpas e cozinha marcada, a música tem uma veia Hard digna nos primórdios da banda lá nos anos 70. Todd aparece mais comedido na música, mas com a mesma qualidade e potência que nas anteriores apresentando uma ótima interpretação na faixa. Repleta de solos e cheia de detalhes, “Set The World Alight” define bem o que é o Riot clássico da primeira formação.
O disco da seguimento com a grudenta “San Antônio”. Uma faixa poderosa que alterna entre bons momentos de técnica e velocidade. Todd canta de forma instigante e é amparado por guitarras inspiradas e muito variadas em seus riffs. Hora de dar os devidos créditos ao novato Nick Lee que tem a honrosa missão de substituir ninguém menos que Mark Reale e com certeza o deixaria  orgulhoso!! Pequenino no tamanho mas gigante nas seis cordas.



“Caught In The Witches” segue uma linha mais Hardona e tem um riff bem legal que respira blues. Um pouco de Black Sabbath pode ser encontrado no baixo de Donnie Van Stavern, fazendo lembrar um pouquinho de Heaven And Hell. Os solos são bem divididos e mostram bem as características de cada um e ainda sim trazem uma pegada bem legal de coisas que Reale fez ou com certeza faria na banda. O disco flui com facilidade devido o tamanho das músicas que não passam de pouco mais de 5 minutos e são bem dinâmicas, mesmo que sendo diferentes entre si, tanto que já estamos na arrasa quarteirão “Ready To Shine”, uma das últimas do álbum e que faz referência ao clássico bordão da banda, SHINE ON. Todd mais uma vez da um show de interpretação alternando entre momentos mais graves e agudos potentes. O felling da bateria e o baixão trampado acompanham a pegada da música que mesmo sendo mais sofisticada (se é que justo chamá-la assim) não destoa do restante do disco.

O disco chega ao fim com a arrasa quarteirão “Raining Fire”! Faixa que serve muito bem pra resumir o que é esse turbilhão veloz, empolgante, brutal e extremamente técnico que é a banda há 40 anos. A faixa grita HEAVY METAL! O dia que alguém te perguntar o que é o estilo, pode mostra-la que a representação é corretíssima. Palhetadas certeiras, baixo esbanjando técnica, bateria com bastante velocidade e variações, além de vocais igualmente impressionantes e potentes. Música digna de colocar pra tocar num tanque de guerra e sair atropelando todo mundo!


Mesmo sem nenhum membro original e mesmo sem seu líder, a banda segue honrosamente e com a autorização do próprio pai de Reale a fazer o que seu filho fez por mais de quarenta anos e que mais amou na vida. Parabéns há Donnie e Mike pela coragem de continuarem com a banda e pelos recrutamentos certeiros de Todd, Nick e Frank. Eu, os fãs de Heavy Metal e principalmente Mark Reale, agradecemos!!

Como bônus, temos “Unbelief”, diferentona, mais Sabbathica e levada quase que totalmente carregada pelo baixo, é uma faixa legal, mas que não tem a mesma força das anteriores, por isso provavelmente não entrou na versão regular do disco. O segundo bônus é nada mais que uma regravação para o trem desgovernado chamado “Thundersteel”, o maior clássico do disco mais conhecido da banda. Nada foi mudado, não precisa, ela já é completa, só ganhou uma gravação com a formação atual. Pra quem nunca viu ou ouviu essa formação ao vivo, é legal pra ver como tudo é muito respeitado, sem firulas desnecessárias em velhos clássicos. Quer comprovar ainda mais isso, fomos presenteados também por um segundo CD, esse ao vivo, gravado na turnê do disco anterior Unleash The Fire no festival Keep It True. Quer saber porque o Riot é tão importante mesmo sendo tão desconhecido da galeria café com leite? OUÇA!!!


Todd Michael Hall - Vocal
Mike Flyntz - Guitarra
Nick Lee - Guitarra
Donnie Van Stavern - Baixo
Frank Gilchriest - Bateria

01. Victory
02. End Of The World
03. Messiah
04. Angel’s Thunder, Devil’s Reign
05. Burn The Daylight
06. Heart Of A Lion
07. Armor Of Light
08. Set The World Alight
09. San Antonio
10. Caught In the Witches Eye
11. Ready to Shine
12. Raining Fire
Bonus (Digipak):
13. Unbelief
14. Thundersteel (2018 Version)

CD 2 : Live Keep It True Festival 2015

Nenhum comentário:

Postar um comentário