É impressionante a gama de ótimas bandas que estão surgindo dentro do Metal, grupos de extrema qualidade que buscam um reconhecimento dentro do cenário com trabalhos interessantes e honestos. O Evilizers foi fundado em 2013 pelo guitarrista Fabio Novarese e pelo baixista Alessio Scoccati, inicialmente como banda cover do lendário Judas Priest, mas em meados de 2017 a banda começou a compor músicas autorais.
“Center Of The Grave” é o álbum de estreia da banda italiana, o debut possui 9 faixas de certa forma bem imprevisíveis (no bom sentido e claro huahaauh), e o que encontramos no som dos rapazes é o mais puro Heavy Metal tradicional com pitadas do Doom e em alguns momentos do Thrash Metal.
A faixa de abertura denominada “Machinery of Evil” é uma introdução de certa forma bem instigante, composta pelos mais variados ruídos de máquinas. ”Evilizers” com seu instrumental bem coeso é um Heavy tradicional com refrões bem viciantes ao melhor estilo Judas Priest e Accept. Em seguida, temos “Final Goal”, uma faixa mais melódica que a sua antecessora, com belos duetos de guitarra e uma cozinha certeira que também são os destaque desta canção.
“Metal Is Undead”, a quarta faixa do álbum, nos brinda com uma introdução ao melhor estilo Thrash Metal, a canção intercala bons solos de guitarras e uma quebra de ritmo bem bacana. Uma bela intro de baixo, cortesia do baixista Alessio Scoccati marca o início da excelente faixa título, além de riffs de guitarras inspirados e mais cadenciados ao melhor estilo Doom Metal tradicional.
Dedilhados e uma intro com piano marcam a introspectiva “The End Is Near” que de certa forma casaram muito bem com a proposta da canção, mas com o desenrolar a mesma ganha um peso descomunal e ótimas performances de todos os integrantes, o que deixa bem evidente o entrosamento do grupo. “Break Up” e “Death Of The Sun” são faixas mais simples, mas bem viciantes e empolgam logo na primeira audição. Encerrando o álbum temos a magistral “Survival” com belíssimos arranjos, riffs e solos bastante inspirados, além de uma performance fantástica do vocalista Fabio Attacco.
Enfim, encerro esta resenha ressaltando o excelente debut “Center Of The Grave” dos italianos, que nos mostra em pouco mais de 30 minutos de duração, uma banda com muita maturidade, versatilidade e competência nas suas composições. Aos amantes do bom e honesto Heavy Metal, a indicação do registro é mais do que recomendada. Ouçam sem moderação!
Falar do Blitzkrieg é chover no molhado. A lendária banda da NWOBHM liderada pelo excepcional Brian Ross dispensa maiores apresentações. Detentora de uma discografia praticamente impecável, o grupo vem mantendo ao longo dos anos a ótima forma, uma prova disso é o lançamento do seu mais novo registro de inéditas.
“Judge Not” foi lançado em 27 de abril de 2018 e é o sucessor do ótimo EP “Reign On Fire” de 2017. Não espere ouvir aqui nada de inovador dentro do estilo, mas o puro e honesto Heavy Metal tradicional da banda continua presente firme e forte, o que já é mais do que necessário para satisfazer os fãs do estilo.
O álbum se inicia com a instrumental “Heretic”, detentora de uma introdução macabra e um belo dueto de guitarras. Logo em seguida, temos a ótima “Who Is Blind” que alterna momentos mais cadenciados e mais rápidos, os belíssimos solos e riffs de guitarra também chamam muita a atenção. A melódica ”Forever is a Long Time” também é digna de elogios, com seu belo refrão e ótima performance de Brian Ross.
A pedrada “Reign on Fire” é um dos pontos mais altos do álbum, munida de riffs intensos e cativantes e uma bela interpretação de Ross. A faixa viciante “All Hell Is Breaking Loose” também é digna de elogios, o peso das linhas de baixo são bem perceptíveis, cortesia de Huw Holding. Seguindo uma pegada mais certeira e crua temos a tradicional “Angels or Demons”.
Com uma pegada Hard/Heavy e soando meio clichê temos “Loud and Proud”, dando sequência ao trabalho, temos a balada “Without You” com seu belo solo de guitarra. As faixas “Wide Legged and Headless” e “Judge Not, Lest You Yourself Be Judged” são outras músicas de grande destaque, riffs inspirados e agressividade ao melhor estilo tradicional ficam bem evidentes. Encerrando o álbum temos a épica ”Falling into Darkness“, que é um manto de riffs de doom que envolve você por sete minutos de duração.
Em suma, um ótimo álbum que reúne todas as características de um grande lançamento de heavy metal tradicional, de uma das bandas mais injustiçadas da NWOBHM, digno de figurar entre os grandes lançamentos do gênero no ano. Imperdível!
Século 21 se tornou tão politizado e cheio de ódio, dizer que apoia algo ou uma ideia se transformou em motivo de agreções verbais e até mesmo físicas. Sabemos que o ser humano ao mesmo tempo que necessita viver em sociedade não consegue conviver com a mesma, e por isso o aumento estrondoso de violência gratuita e sem nexo. Até onde vamos parar? Dentro do próprio meio do Metal vemos essas agressões, o antigo discurso de união hoje se tornou banal e esquecido. Uma ideia divergente é motivo de balbúrdia e 'motim', e pasmem, sem nenhuma argumentação concreta, apenas um ódio interno que queima sem fim. Como ser humano que sou, tenho direito de pensar, e eu penso que da mesma forma que aprendemos com os erros do passado podemos aprender com os acertos, pois podemos maximizar esses acertos e assim sermos mais bem sucedidos ainda. Socialmente falando, estamos regredindo a meios violentos e errôneos. Porém, em sentido musical, o Metal vem se renovando com o passado! Como assim? Permita-me levar-te para uma viagem no tempo em poucos minutos.
Emergindo da Suécia em pleno 2011, a banda Night apresenta para nós um som belo, jovial mas muito saudosista. A banda lançou seu primeiro Full em 2013, sendo esse homônomio, o disco é virtuoso e nos apresenta bem a personalidade do grupo, vocais mais agudos, instrumental clássico das décadas de 70 e 80, e bastante energia. O segundo disco chamado de "Soldiers of Time" foi lançado em 2015, e mostra um bom amadurecimento dos jovens que optaram por utilizar um caminho que não colocasse por fim a banda em uma reta até o peso do metal, afinal, com o passar dos anos, o metal acabou por sempre procurar caminhos mais pesados e mais obscuros. E por fim, 2017 foi brindado com o belo, e esplêndido "Raft of The World", um disco saudosista e de alto calibre, que contempla a mais bela essência dos anos 70, até mesmo a essência lírica de saudosismo e simplicidade é ouvida neste disco. Sobre o conceito do álbum, Oskar, Vocalista da banda, disse: "Eu sentia uma necessidade extrema de me expressar em um nível mais pessoal, que realmente não tinha sido uma prioridade para mim antes de começar a trabalhar nas novas músicas. Vivendo em um mundo enlouquecido, constantemente cercado por pessoas cujo estilo de vida é basicamente enraizado na ganância (...) faz você pensar sobre o que é realmente importante na vida, acho que isso desencadeou meu fluxo criativo e filosófico que se manifestou nas novas músicas.".
A beleza do disco não vem unicamente de seu conceito e som, a arte do disco também chama atenção, por seus tons escuros de vermelho e preto. É um prazer poder entender o conceito de um disco desde sua capa, e é mais prazeroso ainda quando este conceito é belamente apresentado. Na arte do disco, podemos ver um navio, ou jangada (Raft), queimando meio a um imenso mar, simbolizando assim o curso de nosso planeta, afinal, a 'Jangada do Mundo' (tradução livre de "Raft of The World") está se destruindo e indo de mal a pior. E esse tema de depredação moral e social é abordado pela primeira canção do disco, "Fire Across The Sky". As primeiras frases ditas na música nos mostram o sentido a ser trabalhado pela obra: "Me siga pelo caminho de ilusões / Perto do Rio de Mentiras / Procurando um novo lugar para ir / Eu andei nos caminhos de ilusões / Unido por medo e desgraça / Até cair no desconhecido / Fogo atravéz do Céu / O Mundo está em seu fim". Sobre o instrumental, não preciso mencionar muito, afinal a banda segue a bela influência de grandes nomes como Budgie, Hawkwind, Millennium e Saxon. Um instrumental limpo, sem distorções 'metalizadoras' e muita genialidade. A bateria clássica e simples acompanha bem as cordas suaves apresentadas. Em "Surrender" o belo som mesclado de notas suaves, com uma base mais rítmica, passa ao ouvinte a sensação de pureza, qualidade, e confiança. Acho que neste álbum, a banda alcançou seu ápice de entrosamento, de criatividade e finalmente achou seu nicho dentro da música mundial. E fica mais evidente isso na faixa "Under The Gallows", que traz o estilo mais despojado do Rock Clássico, e o mescla com os ritmos mais metalizados, porém sem perder a sonoridade mais simples.
Na sequência, a pequena transição calma e bela, "Omberg" abre caminho para a mais agitada "Time", que foi escolhida para ser o clipe apresentado pela banda. A faixa segue os moldes do início do NWOBHM, juntamente de um baixo mais continuo, e guitarras batidas em power acchords e claro, o vocal de Oskar sempre em sua medida ideal. Além disso, os solos repletos de feeling criam mais uma atmosfera substantiva e perfeita para a canção. "Strike of Lightning" nos brada com muita categoria e sons maravilhosos, e muita criatividade. Guitarras mais fraseadas, juntamente de um baixo bem presente e uma bateria suave sintonizam com vocal de forma esplêndida.
As 3 faixas finais do disco são matadoras, sentimos a voz de Oskar falando conosco, nos mostrando como vivemos num mundo decadente e sem sentimentos. "Winds" embeleza de uma forma maravilhosa o disco, voltando aos antigos moldes do princípio do NWOTHM, porém sem peso de distorções carregadas, ou bases mais poderosas, apenas com simplicidade e criatividade, a faixa domina os ouvintes e ecoa de forma inimaginável nos cérebros alheios. Mas quando você pensa que não tem como melhorar, eis que a perfeição exala, e talvez em toda minha vida, eu jamais tenha achado que uma balada seria tão boa, até escutar a bela "Coin In A Fountain". Caros leitores, amantes do Metal, e amigos. Esta música possui uma magia incompreensível, os vocais trabalhados em um belo Reverb, seguido de muito feeling dos violões, criam uma faixa extremamente simples, cativante, com presença e apaixonante. Talvez, seja está a faixa destaque deste disco para mim. Para finalizar o disco de forma coerente, "Where Silence Awaits" retoma o clássico Rock n'Roll que a banda vinha apresentando, os garotos suecos conseguiram finalizar um disco quase sem nenhum pecado. Venho por meio desta pequena resenha, ressaltar o quanto o disco é belo, e bem construído. Talvez seja assim que o som da perfeição soe.
Quando falamos sobre o passado, devíamos ver onde erramos e corrigir apenas eles. Infelizmente, hoje não conseguimos distinguir o que se deve ou não corrigir, muitos fatores influenciam, desde a polarização partidária e/ou ideológica, até a falta de incentivo educacional. O mundo tem se tornado uma grande bola de urânio, prestes a entrar em reação, e por fim, devastar tudo. A paz se esvaiu, o respeito já partiu, e a união já deixou de existir a muitas luas. Talvez a única faísca de esperança, possa ser erguida atravéz da VERDADEIRA ARTE, que sempre teve o poder de transformar, unir e apaziguar. O Night me orgulha imensamente devido a sua teimosa insistência de buscar a união atravéz de sua mentalidade e sua mensagem, eles buscam suas inspirações no passado, e trazem até nós um trabalho feito com amor, sem preconceitos, sem distinção, sem polarização, sem maldade. Eles apenas fazem seu som, ser o seu som, e mesmo sem gritarem por união, sentimos isso ao ouvir tal disco.
Eu venho avisando desde o ano passado e quem frequenta sempre o Terreiro ficou careca de ver eu falar que Riot lançaria um dos grandes discos de 2018 e em 26 de Abril isso se concretizou!
"Armor Of Light" é o 16° disco da veterana banda de Nova Iorque é o segundo lançamento após o falecimento de seu lendário líder Mark Reale, que esteja aonde estiver em seu descanso eterno, sem a menor dúvida posso afirmar que ele está muito orgulhoso do legado que sua banda continua escrevendo e honrando.
O baixista Donnie Van Stavern e o guitarrista Mike Fryntz foram muito felizes com as escolhas do alienígena/vocalista Todd Michael Hall, o novato e competente guitarrista Nick Lee, responsável por dividir um legado imenso nas seis cordas com Mike e o trator responsável pela bateria, no grande Frank Gilchriest.
Com o pé no acelerador, o disco abre com a veloz “Victory”, um dos primeiros singles do disco. Vigorosamente pesada, a música serve de bom aperitivo para o massacre que está por vir ao longo do play. Riffs cortantes e uma cozinha esmagadora impressionarão tanto velhos, quanto novos ouvintes e fãs. Seus solos são bem inspirados e são sustentados por uma cozinha que não deixará nada em pé! Todd, já desde seu primeiro disco com o Riot já se mostrou uma escolha corretíssima, algo que o próprio Reale faria; agora mais entrosado com a banda, da um show de interpretação, sempre técnico e com muita potência!!!
“End Of The World” tem um coro bem legal no começo, algo que até dá indícios para um daqueles Hardões que foram a marca da banda nos anos 70, mas não amigo! O pau fecha mais uma vez em uma faixa de cozinha brutal, baixão na cara e um trabalho de pedal duplo novamente impressionante!!! O veterano Frank esbanja saúde espancando sem o menor pudor o seu kit de bateria. As guitarras se revezam entre riffs velozes e cavalgadas, sempre complexas e com muito peso! Os solos tomam as rédeas da música alternando entre momentos de cadência, velocidade e passagens complexas, mostrando todo o poder da dupla Mike e Nick – poderia ate chamar de trio de guitarristas, já que o trabalho e a devoção de décadas de Reale à frente da banda, poderá ser sentido ao longo de todo o disco. Outra coisa a se destacar em “End Of The World” é seu refrão grudento e instigante!
Dando sequência no trem desgovernado que é Armor Of Light, vem a estúpida “Messiah” fazendo uma crítica bem inteligente aos falsos deuses. A faixa é velocidade e brutalidade do início ao fim com sua pegada totalmente Speed Metal e “paradinhas” que quebrarão qualquer pescoço. A música tem riffs muito bem construídos e performances notáveis por parte do vocalista Todd Michael Hall, já veterano de cena mas que canta como fosse um garoto. Que voz!! Outro que merece total destaque mais uma vez é o baterista Frank. O cara é um trator desgovernado e mesmo usando e abusando de muita, muita velocidade, não larga o felling em nenhum momento, sempre com viradas bem sacadas.
“Angels Thunder, Devil's Reign” não deixa a peteca cair e continua com aquela pegada alternada entre momentos de velocidade e passagens mais cadenciadas de derrubar o pescoço de um rinoceronte! O baixo chama os trabalhos nessa faixa com um solo curtinho mas bem, eficiente! Seu refrão é de um bom gosto extremo e com certeza não sairá da cabeça dos ouvintes. Certamente essa será um dos momentos mais festejados nos shows, caso ela seja tocada ao vivo.
“Burn The Daylight” traz uma pegada bem semelhante ao que a banda fez no progressivo The Privilege Of Power de 1990 e em meio ao seu instrumental pesado, traz diversas mudanças de tempo bem legais. Essa alternância nas guitarras, ora mais intrincadas, ora com riffs mais simples e Hard Rock, são calçadas mais um vez por uma cozinha esmagadora e vocais agudos muito potentes. Os solos são bem legais e com essa faceta mais progressiva são um dos grandes destaques do play nesse quesito. O grande mérito do disco é ver as guitarras solando maravilhosamente bem enquanto a cozinha não fica apenas de mera espectadora. O baixo e a bateria mudam o rumo das coisas e os solos acompanham inspiradamente. Peço atenção nessa faixa, uma das melhores do disco.
Outra que virou single e trouxe um clipe simples, porém legal foi a veloz “Heart Of A Lion”. Pra quem conhece a banda, certamente fará uma ligação imediata do riff de seu começo com a clássica Fight Or Fall de clássico Thundersteel de 1989. A bateria da as cartas no tom da música e mais uma vez o baterista Frank esbanja uma vitalidade absurda. Como diz aquele narrador da ESPN, QUE HOMEM!
Os riffs são simples e o vocal de Todd é mais uma vez altíssimo. O refrão é curtinho, empolgante, melódico e extremamente grudento e seus solos seguem essa mesma linha. O clima é quebrado por uma passagem cadenciada e complexa mostrando todo o entrosamento e a qualidade dos músicos pra depois cair novamente na pancadaria. Um verdadeiro presente ao metal oitentista e aos fãs da banda.
“Armor Of Light” é a encarregada de batizar o disco. Sua pegada direta desemboca em solos também rápidos e cheios de muito felling. Os duelos entre a dupla Nick e Mike são de um bom gosto tremendo ao longo do disco e nessa faixa não podia ser diferente. Mais uma música com um refrãozão marcante que promete ser cantada em uníssono nos shows da banda. Todd é incrível nessa música e se posta como uma das grandes vozes atualmente.
“Set The World Alight” é o primeiro oásis de calmaria do disco. Com um Groove diferente, guitarras mais limpas e cozinha marcada, a música tem uma veia Hard digna nos primórdios da banda lá nos anos 70. Todd aparece mais comedido na música, mas com a mesma qualidade e potência que nas anteriores apresentando uma ótima interpretação na faixa. Repleta de solos e cheia de detalhes, “Set The World Alight” define bem o que é o Riot clássico da primeira formação.
O disco da seguimento com a grudenta “San Antônio”. Uma faixa poderosa que alterna entre bons momentos de técnica e velocidade. Todd canta de forma instigante e é amparado por guitarras inspiradas e muito variadas em seus riffs. Hora de dar os devidos créditos ao novato Nick Lee que tem a honrosa missão de substituir ninguém menos que Mark Reale e com certeza o deixaria orgulhoso!! Pequenino no tamanho mas gigante nas seis cordas.
“Caught In The Witches” segue uma linha mais Hardona e tem um riff bem legal que respira blues. Um pouco de Black Sabbath pode ser encontrado no baixo de Donnie Van Stavern, fazendo lembrar um pouquinho de Heaven And Hell. Os solos são bem divididos e mostram bem as características de cada um e ainda sim trazem uma pegada bem legal de coisas que Reale fez ou com certeza faria na banda. O disco flui com facilidade devido o tamanho das músicas que não passam de pouco mais de 5 minutos e são bem dinâmicas, mesmo que sendo diferentes entre si, tanto que já estamos na arrasa quarteirão “Ready To Shine”, uma das últimas do álbum e que faz referência ao clássico bordão da banda, SHINE ON. Todd mais uma vez da um show de interpretação alternando entre momentos mais graves e agudos potentes. O felling da bateria e o baixão trampado acompanham a pegada da música que mesmo sendo mais sofisticada (se é que justo chamá-la assim) não destoa do restante do disco.
O disco chega ao fim com a arrasa quarteirão “Raining Fire”! Faixa que serve muito bem pra resumir o que é esse turbilhão veloz, empolgante, brutal e extremamente técnico que é a banda há 40 anos. A faixa grita HEAVY METAL! O dia que alguém te perguntar o que é o estilo, pode mostra-la que a representação é corretíssima. Palhetadas certeiras, baixo esbanjando técnica, bateria com bastante velocidade e variações, além de vocais igualmente impressionantes e potentes. Música digna de colocar pra tocar num tanque de guerra e sair atropelando todo mundo!
Mesmo sem nenhum membro original e mesmo sem seu líder, a banda segue honrosamente e com a autorização do próprio pai de Reale a fazer o que seu filho fez por mais de quarenta anos e que mais amou na vida. Parabéns há Donnie e Mike pela coragem de continuarem com a banda e pelos recrutamentos certeiros de Todd, Nick e Frank. Eu, os fãs de Heavy Metal e principalmente Mark Reale, agradecemos!!
Como bônus, temos “Unbelief”, diferentona, mais Sabbathica e levada quase que totalmente carregada pelo baixo, é uma faixa legal, mas que não tem a mesma força das anteriores, por isso provavelmente não entrou na versão regular do disco. O segundo bônus é nada mais que uma regravação para o trem desgovernado chamado “Thundersteel”, o maior clássico do disco mais conhecido da banda. Nada foi mudado, não precisa, ela já é completa, só ganhou uma gravação com a formação atual. Pra quem nunca viu ou ouviu essa formação ao vivo, é legal pra ver como tudo é muito respeitado, sem firulas desnecessárias em velhos clássicos. Quer comprovar ainda mais isso, fomos presenteados também por um segundo CD, esse ao vivo, gravado na turnê do disco anterior Unleash The Fire no festival Keep It True. Quer saber porque o Riot é tão importante mesmo sendo tão desconhecido da galeria café com leite? OUÇA!!!
No final de 2017, a banda Pastore lança o seu terceiro álbum denominado “Phoenix Rising”, para quem não conhece é a banda do respeitado vocalista Mario Pastore, que tem no seu currículo grandes projetos nacionais de Heavy Metal como Acid Storm, Sacred Sinner, Tailgunners, Social Fears, além de ter colaborado com outros projetos como o dos veteranos do Seventh Seal e o ambicioso projeto Soulspell do baterista Heleno Vale. Em relação à Phoenix Rising, é um álbum com um nível de produção excelente, só por isso já compensa a audição, mas musicalmente é um prato cheio para os fãs mais tradicionais do Heavy Metal, pois é apresentado um trabalho neste álbum de excelente nível. Apesar de ter envolvimento de diversos músicos no trabalho, o album está muito uniforme e com uma identidade muito própria, que grande parte é proporcionado pelo vocal único do Pastore. Inclusive nota-se que em diversos momentos do álbum, a parte melódica se coloca como coadjuvante para dar todo o espaço para as linhas vocais se destacarem (algo extremamente positivo quando se trata de um vocalista como Mario Pastore). A lírica do álbum não tem um tema específico, mas em linhas gerais disserta sobre comportamento humano, guerra, conflitos e algumas críticas sociais.
O álbum inicia com a faixa homônima ao álbum, um hino para quem curte o Heavy Metal tradicional, riff interessantes, boa linha de bateria e Mario Pastore já lançando as suas credenciais com o seu vocal impossível de não reconhecer. Colocada cirurgicamente para já prender a atenção do ouvinte, mantendo a pegada do álbum temos na sequencia a “Damn Proud”, que musicalmente tem viradas interessantes, quebras de tempo que dão o tempero à faixa, mas dá também o espaço para o protagonismo das linhas vocais do Pastore. Depois temos “Symphony Of Fear”, uma das faixas de divulgação do trabalho e que ganhou um ótimo e super produzido clipe (clipe abaixo), ela tem uma pegada mais Groove Metal, inclusive com uma linha vocal mais rasgada e mais agressiva, combinando com a lírica da música que fala sobre um ataque zumbi.
A quarta faixa é a "March Of War', mantendo a influência mais "groove", ela é mais cadenciada com forte presença da percussão, particularmente é umas das minhas faixas favoritas. Após temos a faixa "No More Lies", uma faixa mais arrastada, com levada e temática mais melancólica, onde Pastore adota vocais mais limpos que nas faixas anteriores, a sexta faixa, "Salvations Paradise" volta para a linha mais "Heavy Metal" do CD. Com bons riffs e um solo bem executado, mantém a dinâmica do álbum, depois com "I Need More" uma faixa mais rápida, com uma letra de criticas à corrupção humana.
Na oitava faixa "Holy War" mantém a velocidade, com um refrão marcante, criticando o extremismo religioso e logo depois mantendo a pegada temos a "Time Goes By". a penúltima faixa, "Get Outta My Way" volta a dinâmica com mais peso nas guitarras e com vocais mais rasgados e o álbum finaliza com "Fire And Ice", com uma pegada mais cadenciada, uma linha vocal mais arrastada, encerra muito bem as inéditas do disco e como faixa bônus, temos a excelente versão da "Lightnin' Strikes Again" da banda americana Dokken. Como disse no começo da resenha, “Phoenix Rising” é um excelente álbum de Heavy Metal e musicalmente não tá devendo em nada ao que se tem feito por aí em relação às bandas do gênero, mesmo as gringas que todos adoram ouvir covers e versões requentadas. Portanto é um belo convite para sair da sua zona de conforto musical e explorar coisas novas.
A gama gigantesca do Metal é impressionante para qualquer um que possa admira-lá. E o metal épico tem se mostrado uma potência quando nos referimos ao Brasil, afinal, existem muitas bandas do estilo, e que possuem uma qualidade maravilhosa! É uma delas a ótima ThunderLord. A banda originária de Londrina, Paraná, já possui em sua discografia, o disco "Barbarian" de 2014. O mesmo, foi totalmente gravado por Peter Kelter, idealizador e dono da banda. O disco ainda conta com os Backing vocals de Arthur Migotto (Ex-Hazy Hamlet) em algumas faixas. E basicamente se baseia em um heavy metal cru, com bases mais arrastadas, uma bateria simples e um vocal rouco e forte, o que se encaixa muito bem na temática medieval da banda. As letras sangrentas e baseadas em batalhas e estilo de vida bárbaro dão atmosfera e sentido a este trabalho, simples, mas surpreendente. Porém a invasão sulista e barbara não parou apenas em um único disco independente. E em 2017, Peter Kelter, agora unido com outros guerreiros do bom e velho Heavy Metal, lança o belo "Conqueror". O disco conta com 9 hinos épicos e uma introdução bem característica, criada por Yuri Fulone. O peso e as características épicas da banda são mais assimiladas agora, devido a uma melhora na gravação e mixagem do álbum. As guitarras pesadas e carregadas de overdrive, criam uma atmosfera obscura e sanguinária para a faixa-título "Conqueror". Em "The Blade Sings" o instrumental segue abrasivo, com peso e qualidade. Cavalgadas tomam conta da música, e o vocal em coro no refrão caracteriza mais ainda o trabalho da banda.
Não irei mencionar faixa a faixa, pois quero dar esse gosto de ouvir o disco a cada um dos leitores, apenas irei mencionar os pontos altos de algumas músicas selecionadas por este que vos escreve. Além das duas músicas já descritas, cito as qualidades apresentadas em "One for All, All for One" que se trata de uma faixa com uma letra mais histórica, falando dos mosqueteiros. E para não deixar de lado, o instrumental novamente pesado, destaca o solo bem técnico e que se encaixa bem ao peso da banda. O disco ainda apresenta a bela "In My Sword I Trust" que é claramente inspirada no estilo áureo do Manowar (The Sign of The Hammer, Fighting The World, Hail to England), claro que com vocais mais pesados e roucos, por isso algumas adaptações foram claramente feitas. Ótima faixa para fãs do metal rápido e bem tocado.
As últimas duas músicas escolhidas para serem lembradas aqui são duas músicas que claramente marcaram a história da banda. "Nightriders" reúne todos os elementos apresentados pela banda, peso, cadência, técnica, cavalgadas e muita brutalidade. E a música de fechamento do disco, possui épicos 7 minutos de duração, e apresenta a cadência tão amada pelos fãs de quase todos os estilos de metal. Além disso, a música ainda possui a participação de monstros como Fábio "Grey Wolf" Paulinelli e Arthur Migotto. A música realmente gruda em nossa cabeça e carrega nosso tímpanos de uma atmosfera arrasadora.
Realmente, o metal brasileiro ainda briga por um espaço no mundo. Bandas como ThunderLord, Grey Wolf, Hazy Hamlet, Cruzadas, Cavaleiro Dragão, Hellish War, Válvera, Biter, Sweet Danger, Vingança Suprema, e muitas outras, merecem ser ouvidas, e compartilhadas, ajudadas por nós, fãs e consumidores do bom e velho metal! Façam sua parte como fãs, comprem o material, vão aos shows e mantenham a chama do Metal vivo!
Jóias lindas e raras são extremamente caras, e todos nós sabemos o porque. Além de serem raras, as pedras passam por um processo de polimento rigoroso, são lavadas em banhos químicos, lixadas, algumas passam por calor, até chegar ao seu brilho e valor final. E o metal é cheio de belas jóias, e claro, os países europeus detonam com tanta qualidade. Alemanha, Finlândia, Noruega e Suécia são os maiores centros europeus produtores e exportadores de tais belezas. A Suécia é um belo exemplo de tal jóias, cada dia que passa, novas bandas vem a tona, e as antigas se tornam mais acessíveis a nossos ouvidos. Como o caso do Morgana Lefay, uma banda completa, que exerce um estilo único, com qualidade e sendo bem criativos, fugindo da mesmice.
Morgana Lefay surgiu em 1986 sob o nome Damage, mas logo em 1989 trocou de nome para o atual. Tendo por membros fundadores o guitarrista Tony Eriksson e o excelente vocalista Charles Rytkönen. O primeiro lançamento, "Symphony of The Damned", marcou o estilo que seria sempre usado e seguido pela banda, um Heavy Metal repleto de influências do Power, e com resquícios de Thrash Metal. E como uma bela jóia, o Morgana Lefay foi se lapidando atravéz dos anos. Como tudo nem sempre é fácil, a banda sofreu alguns problemas judiciais devido ao nome em 1997. Porém, seguiu ativa entre os anos de 1997 até 2004 sob o nome de Lefay (nossa como mudou...). E foi nessa época que a banda atingiu um grande peso que levaria para seus futuros lançamentos. Em 1999, foi lançado o disco The Seventh Seal e uma re-edição do Symphony of The Damned. Após, no ano de 2000, foi lançado o disco mais técnico da banda, o disco SOS.
Com uma formação onde, além de Tony nas guitarras e Charles no vocal, contava com Rob Engström na bateria, Mick Âsentrop no baixo e Peter Grehn na outra guitarra a banda segui o seu estilo já apresentado anteriormente, porém dessa vez com muita qualidade e diversidade, com técnica e boa execução. Percebemos isso logo na faixa de abertura do disco, a homônomia SOS ou "Save Our Souls", as guitarras pesadas e carregadas acompanhadas de uma bela bateria rítmica e um baixo suave permitem que o vocal de Tony ressoe forte e penetrante.
O refrão conta com outras vozes bem encaixadas, que nos transmitem a sensação de apelo, porém sem exageros sonoros. O solo simples, rápido e cativante combina com perfeição na faixa, nos prendendo a cada nota tocada. A segunda faixa apresentada pelo disco, chama "Cimmerian Dream", e segue o princípio da música anterior, porém com uma bateria mais rápida, com algumas viradas mais brutas e uma base e baixo continuo. A 'bridge' da faixa é o que mais destaco aqui, o peso e velocidade das cavalgadas da guitarra assombram, sem mencionar o pedal rápido de Rob. O solo da faixa trabalha mais com efeitos sonoros de bends e slides, combinando com toda a atmosfera pesada e sombria da faixa. "Sleepwalker" possui uma introdução dedilhada, mas uma base mais pegada a aspectos pouco puxados para o Doom Metal, além da presença e peso do baixo metálico e uma bateria visando o uso de pratos mais profundos em algumas partes. Mas não podemos esquecer da premissa da banda, um Heavy/Power Metal, ou seja, as coisas não ficam apenas presas ao som mais cadenciado. Uma bela canção.
Ah, aquela balada que todos esperam ouvir nos disco. Essa é "Epicidium". Porém não se engane, apesar de sua introdução bela e calma, a faixa possui duas faces, a tranquilidade e a ferocidade. Flertando entre acústico e elétrico, a música revela a grande diversidade de tons que Tony pode alcançar, desde uma voz suave e limpa, até seus vocais mais berrados e rasgados. Como me agrada essa faixa! "When Gargoyles Fly" e "What Dreams Forbode" apresentam um pouco de influência do US Power Metal, ouvimos riffs carregados de técnica, além de uma presença do baixo. Os solos são mais técnicos e se encaixam bem nas atmosferas das faixas. Neste ponto do disco, ouvimos as faixas com uma maior cadência, como caso de "Blodred Sky" e "Help Me", sons lentos e bem conclusivos, que ficam em nossas mentes. A faixa "The Quest For Reality" reaviva o disco com uma boa velocidade ala Thrash Metal, com peso e agressividade, a música surpreende bastante.
Eis que a faixa derradeira se aproxima, "The Choice". Junte qualidade, cadência, grandes doses de Doom, peso e uma inimaginável qualidade vocal. Pronto, você cria a faixa mais marcante do disco, são 7 minutos de pura beleza construída. Os vocais de Tony combinam perfeitamente com a atmosfera mais lenta, e as alterações feitas pelo mesmo não permitem que a música se torne massante. Uma coisa legal, é que a introdução da primeira faixa do disco coencide com o fim desta ultima faixa, ouçam, irão perceber o mesmo. Após o lançamento do disco, novamente a jóia sofreu uma lapidação, a banda voltou a usar seu nome completo, Morgana Lefay, teve a substituição de alguns membros e lançou mais dois discos, chamados de Grand Mateira (2005) e Aberrations of The Mind (2007).
Hoje, seguem em ativa, porém sem nenhum lançamento. Esperamos anciosamente para que esta jóia sueca nos conceda algum novo disco, e mostre o quanto o tempo a lapidou.
*Um fato curioso sobre a banda, é que enquanto esteve sobre o outro nome (Lefay), foi lançado um disco abaixo do nome "Morgana Lefay". O disco é um homônomio que conta com a seguinte formação: Danne Person (vocais), Thomas Persson (Guitarra), Jonas Söderlind (Bateria) e J. von Heder (Baixo). Este é o único disco que não conta com os dois membros fundadores, e segue um estilo diferente, um Hard n' Heavy mais melódico. A atual formação da banda não reconhece tal disco como sendo parte da discografia do Morgana Lefay.
Corria o ano de 1977. Um jovem guitarrista, oriundo da Vila Maria, zona norte da Capital paulista, Junior Muzilli, resolveu montar uma banda para tocar o heavy metal e o hard rock de que tanto gostava. Apareceu um cantor, China Lee. Estava formada a espinha dorsal do que viria a ser o Salário Mínimo, na época, que não era para ser levado a sério. Mas os meninos eram esforçados, o som era legal e começaram a tocar ao vivo. Em 1981, a coisa começou a ficar séria. A formação estabilizou-se com a adição do baixista Magoo e do baterista Beá, e a partir daí desandaram a fazer shows, gravar discos, fazer sucesso. Entraram em hiato, voltaram e hoje, 40 anos depois daquele despretencioso começo, o vocalista China Lee atendeu gentilmente ao Terreiro do Heavy Metal para contar esta bela história, com exclusividade.
O repórter escalado para esta matéria acompanhou de perto a primeira fase da carreira do Salário Mínimo e é a respeito deste princípio que Chilna Lee disserta: "Bem; quem começou com o Salário Mínimo foi o Junior Muzilli, que teve a ideia de montar a banda. Cheguei depois. À princípio não era nada muito sério. Era mais para fazer um som, mesmo, mas, aos poucos foi ficando sério. Chegaram o Magoo no baixo e o Beá na bateria e começamos a fazer shows de verdade, lá por 1981. Começamos a tocar em tudo que era lugar, como você mesmo assistiu vários destes shows. Teatro Lira Paulistana, Teatro Idema, Madame Satã, Teatro Mambembe, Fofinho, Led Slay, enfim, todo o circuito que havia na época, que você conheceu bem. Foram muitos shows, que foram chamando a atenção do público, em especial, o feminino, que ia em grande quantidade. A gente tinha este carisma com o público feminino e, sabe como é; show com bastante mulher, a galera vai em peso e os nossos shows lotavam, o que ajudou muito, porque, você deve lembrar que, naquele tempo, a melhor divulgação era o boca-a-boca".
Realmente; eram tempos rudimentares e quem ia a algum show e curtia, contava aos amigos e assim, o público ia crescendo, show a show. China Lee segue recordando: "Tocamos em diversos locais e eventos. Até que em 1984, na extinta Praça do Rock (N.R.: Evento que ocorria mensalmente na Concha Acústica do Parque da Aclimação, na região central da Capital Paulista, organizado pelo músico Darlan Jr.), o Luis Carlos Calanca (N.R.:proprietário da loja e gravadora Baratos & Afins) gostou do nosso show. Dali nasceu a ideia do que tornou-se o "SP Metal I", onde nós entramos com duas músicas, "Cabeça Metal" e "Delírio Interestelar", que projetaram o Salário ainda mais".
Em 1985, ocorre uma mudança que atingiu a formação, o som, o visual e a produção da banda. A cozinha formada por Magoo e Beá foi substituída pelo baixista Thomaz Waldy e pelo baterista Nardes Lemme. Junior Muzilli recebe a parceria de um outro guitarrista, Arthur Crom. O som passou a tender ainda mais para o hard rock e o visual para o "glam".
O grupo seguiu em trajetória ascendente; a fama cresceu, o grupo começou a ser requisitado para programas radiofônicos e televisivos. Tamanha foi a exposição que, em 1986, China Lee recebeu um convite para protagonizar um comercial televisivo de uma popularíssima marca de xampú.
"Pois é! O sucesso que o Salário estava fazendo, proporcionou a nós, "peões" da Vila Maria, mas que tinham os show repletos de garotas, muitas oportunidades. Uma delas foi essa. Acho que chamava 'Heneé Maru', ou coisa assim. Eu tinha as imagens, mas perdi, uma pena", entristece-se o vocalista. Só que esta tristeza não durou quase nada. Nosso intrépido e solerte repórter, num exercício arqueológico digno de um Indiana Jones, chafurdou nos profundos e arenosos pântanos da internet e presenteou China Lee com o comercial do xampu "Maru Henna. Obvio; o Terreiro do Heavy Metal é conhecido pelo bom humor. Portanto", China Lee, nosso "hero of brazilian heavy metal"; tai o comercial, pra todo o mundo ver. China Lee completa: "O cachê foi legal".
Enfim; a fase áurea da carreira do Salário Mínimo havia eclodido desde SP Metal I e seguia para o alto e avante. A memória de China Lee segue afiada: "A Baratos & Afins percebeu o sucesso do grupo e planejava lançar um álbum nosso, mas estava lançando muitos grupos, como os nossos amigos d'A Chave do Sol, do Harppia, Platina e outros; gravadoras "majors", também demonstraram interesse e, dentre elas, a RCA, que contatou o Luis".
Luis Carlos Calanca mete o bedelho na entrevista: "O Salário estava indo bem e a RCA oferecia boas condições para os meninos. Não tinha porque segurar. Liberei na hora".
China Lee também tem suas recordações: "Realmente; as gravadoras começaram a se interessar e fazer suas propostas. A RCA procurou o Calanca e ele liberou a gente, mostrando que queria mesmo era ver o crescimento do que ele havia lançado. Então, assinamos com a RCA, que ofereceu condições bem legais de gravação e oferecia um projeto de promoção, com muito rádio e TV. Aparecemos muito na imprensa especializada e um pouco na "comum".
Em 1987, portanto, há 30 anos atrás, "Beijo Fatal" era lançado. Um bom álbum, com boas canções e uma produção boa para uma empresa que nunca havia trabalhado com música pesada antes, começou a fazer sucesso, com a faixa-título, "Jogos de Guerra", "Dama da Noite" e a regravação de "Rosa de Hiroshima", de mestre Vinicius de Moraes.
"O disco, segundo o relatório de vendas da RCA, vendeu 79.000 cópias, uma ótima vendagem para o primeiro álbum de uma banda", declara China Lee com humildade, mas o álbum teve relançamentos e continuou sendo vendido no decorrer dos anos. Por baixo, deve, hoje em dia, estar por volta de 140/150.000 cópias, o que garantiria ao grupo, no mínimo o Disco de Ouro, se o mundo fosse um lugar justo.
Acontece que, para ampliar ou manter o sucesso obtido é necessário que uma banda mantenha-se lançando álbuns, o que, infelizmente, não é o caso do Salário Mínimo. "O Salário é, realmente, uma banda de pouquíssimos discos, mas, os poucos que fizemos, fizemos o melhor qhe pudemos, daí vem uma parte de nosso sucesso, mas a nossa força, na verdade, vive nos shows", declara o cantor.
Assim sendo, o tempo foi passando, as aparições na mídia minguando, o público roqueiro mudando.
Em 1990, Junior Muzilli deixa o grupo. "Foi um baque! Continuamos por algum tempo como quarteto, mas, infelizmente, com o passar do tempo, decidimos encerrar as atividades do Salário. Não havia mais estímulo para continuar. Eu havia conhecido o Micka (N.R.: Ricardo Michaelis, ex-guitarrista do Santuário), que é um grande guitarrista e compositor e, como estavamos interessados em fazer um som similar, montamos o Extravaganza, que tinha um som mais puxado para o hard rock e, até mesmo para o AOR, sabe? Era um som que realmente nos agradava e trabalhamos duro por esta banda, fizemos muitos shows e lançamos um disco, "O Prazer é Seu", que, infelizmente acabou nao tendo o sucesso que nós esperavamos. Por fim, a banda acabou, mas restaram boas lembranças".
Com o fim do século XX o vocalista, que sempre ouvia insistentes pedidos do público pela volta da banda, começou a acalentar esta ideia. Tal objetivo foi atingido em 2004. "Juntei-me ao guitarrista Kenzo Shimabukulo e outros bons músicos e retomei a carreira do Salário Mínimo. Contamos com grandes músicos, como Marcelo Ladwig (bateria) e, depois, o Junior Muzilli voltou, estando conosco até hoje, junto com o guitarrista Daniel Beretta, o baixista Diego Lessa e o baterista Marcelo Campos, que substituiu Ladwig. Começamos a tocar em festivais do nível do Roça'n'Roll (Varginha/MG), A Quaresmada (Brasília/DF) e o Super Peso Brasil, por exemplo.
Em 2010 lançamos o álbum "Simplesmente Rock", que mostra o som do Salário de hoje (o repórter que vos escreve destaca a canção "Fatos Reais" deste álbum, mas o mesmo é todo bom). Em nossa carreira tivemos a honra de abrir shows para o Uriah Heep, o Scorpions, o Twisted Sister e o The Rods (banda de Dave Feinstein, primo de Dio) e aprendemos muito com estas oportunidades. Continuamos a fazer um bom número de shows por mês e pretendemos realizar o pedido dos fãs de lançar um novo álbum.
Nós, do Terreiro, também aguardamos este novo álbum ansiosamente.
Agradecemos à China Lee pelo bate-papo e homenageamos, com esta singela matéria a este cantor, de 52 anos de idade, pai da pequena Manuela, chamado China Lee e a este monstro sagrado do rock brasileiro chamado Salário Mínimo, pelos 40 anos dedicados ao Rock.
Todo fã de metal já pensou: "o que aconteceria se misturassem os Judas Priest com Arch Enemy? Ou Iron Maiden com Deicide? Ou Saxon com Dark Tranquility?". É óbvio que mesmo se perguntando, poucos teriam coragem de misturar estilos tão distintos dentro de um som. Afinal, os interessados por tal "massaroca" musical seriam bem poucos. Mas, e se eu te disser que toda essa mistura pode ser ouvida hoje? E se eu também te disser que tudo isso foi feito por cinco brasileiros? É com orgulho que o Terreiro apresenta a vocês o Hellpath!
O quinteto paranaense do Hellpath é composto por Richard Félix (guitarra), Rodolfo Pacheco (bateria), William Cruz (baixo), Rafael Neves (guitarra) e Thiago Müller (vocal). Eles, antigos colegas de faculdade, decidiram, em 2006, criar uma banda autoral onde poderiam colocar todas suas idéias em prática, e claro, poderiam finalmente seguir o caminho de suas inspirações. Porém, quais seriam suas inspirações? Exatamente aquelas que falei ali encima. A banda possui muita influência (principalmente no instrumental) de nomes clássicos do Heavy Metal mundial, como Saxon, Iron Maiden, Judas Priest, Angel Witch, Blitzkrieg, Satan e Grim Reaper. Essa influência trás ao som uma consistência muito boa, e bem agradável a qualquer ouvido, com instrumental simples e cativante a banda chama atenção por sua qualidade. Adicione a essa fórmula vocais guturais a estilo Deicide, Arch Enemy e afins. Pode parecer estranho, mas garanto que o som é maravilhoso! O instrumental mais suave quebra o peso dos vocais e transforma tudo em uma grande melodia. A banda paranaense lança o disco de estreia este ano intitulado de "Through The Paths of Hell".
O disco foi um acerto gigantesco, isso fica claro quando ouvimos ouvimos a faixa de abertura do disco, "Liar", ficamos impressionados com a qualidade dos dois extremos apresentados pela banda, apesar de uma produção não tão boa quanto outros discos. As guitarras claramente rápidas, e a bateria viciante junto a um baixo bem trabalhado formam uma harmonia contagiante. Os vocais guturais são claros e não aqueles guturais inaldiveis e dão o peso necessário na música. A segunda faixa do disco, "Seven Deadly Sins", trabalha com uma boa dose de Thrash Metal em suas linhas de bateria, as bases são mais secas e o baixo é bem pesado. Sobre a qualidade, a música segue a mesma linha já imposta pela faixa anterior.
Em "Self Respect" as dosagens de Death Metal são maiores, principalmente em algumas pontes executadas pela bateria e, claro, pelo vocal, de resto, a música é totalmente Heavy Metal Old School. O legal nessa faixa é a presença do baixo, totalmente influenciado por Steve Harris (Iron Maiden). Na sequência do disco, ouvimos a rápida "War", que misturando os três estilos (Thrash/Death/Heavy) faz um som bem sucinto e objetivo. "Underworld" e "The Chamber" parecem ter sido forjadas em meio aos anos 80's, sucintas e simples, com um solos maravilhosos e muito característicos, as músicas se estende ao longo dos seus 3 minutos como umas das mais características do disco.
"Caged In A Blackened Future" e "Nature's Revenge" seguem os mesmos padrões 80's já impostos pela banda, riffs clássicos, bateria mais rápida, bases de baixo bem definidas, e o vocal gutural, claro. As últimas duas faixas do disco, já possuem maior velocidade e peso, como o caso de "Blood, Rage and Fire", que trabalha com bases mais rápidas e muito peso na percussão, além da vontade imensa de banguear que essa música da! A faixa conclusiva do disco, "Hellpath", possui boas cavalgadas e um refrão bem agressivo, o que valorizou a faixa bastante! Além do solo extremante clássico, uma maravilha.
Meus amigos Headbangers do Brasil, digo a vocês, que unir dois estilos diferentes pode ser bem sucedido, mas também pode ser uma tragédia, o que não foi o caso do Hellpath. O disco possui a vibração 80's que todo fã de heavy metal ama, e possui toda agressividade que um fã de Thrash/Death adora. Então compra, ouça e ajude os nossos irmãos de sangue a crescer, venha cantar junto:"Hellpath rises!"