Enquanto algumas bandas amansavam ou mudavam sua sonoridade no inicio dos anos 90, o grande Riot seguia mais letal do que nunca com o lançamento do arrasador " The Privilege Of Power".
O disco é conceitual e faz duras críticas contra a opressão e corrupção dos governos (sempre atual esse tema), sempre expressas por um instrumental pesadíssimo, veloz e muito técnico.
Acertadamente experimental, banda conseguiu misturar com plena maestria seu Heavy Metal forte, à arranjos de metais. Isso mesmo! Trombone, trompete, etc.
Se por algum motivo qualquer você ainda não conhece este disco ou o Riot, boa parte do sentido em se ouvir Heavy Metal foi perdido, mas nada que não possa ser recuperado!!
O baixista Donnie Van Stavern falou com EXCLUSIVIDADE ao Terreiro sobre o processo de criação do disco:
"O privilégio do poder é a sequencia de um dos maiores discos Riot, é claro, o poderoso Thundersteel. Escrever o álbum foi muito divertido, principalmente por ser o primeiro registro conceitual do Riot. Nós usamos transmissões reais de televisão entre canções para mostrar como a mídia controla as pessoas e decisões, e as pessoas no poder são sempre privilegiadas! Também estava cheio de convidados especiais como "Joe Lynn Turner" do Rainbow, "GE Smith" da banda Saturday Night Live e "TM Stevens" da Whitney Houston e Erik Mauk da banda The Godz co-escreveu e tocou guitarra em "Little Miss Death". Ele não foi tão bem como Thundersteel, mas foi uma grande diversão para a banda grava-lo.
Eu escrevi algumas das canções mais pesadas, incluindo "On Your Knees e "Dance of Death". Mark escreveu "Runaway" e nós colaboramos em "Metal Soldiers", "Killer", "Storming the Gates of Hell" e "Mary Ann". Nós fizemos o cover do guitarrista de jazz Al Di Meola "Racing With The Devil On A Spanish Highway", a ideia surgiu quando Mark estava no violão e começou a tocar a música, Al Di Meola sempre foi um dos nossos guitarristas favoritos. O disco foi produzido durante um longo período e ficou a cargo mais uma vez de Steve Loeb e Rod Hui, responsáveis por todos os discos até aquele momento, incluindo "Fire Down Under" e "Thundersteel". SHINE ON!"
O Liege Lord, foi sem dúvidas, uma das bandas mais importantes na cena do Power Metal Americano, o grupo foi formado em 1982, mas só começou a gravar seu primeiro álbum de inéditas em 1985, o intitulado “Freedom´s Rise”. O disco rendeu bons frutos a banda e foi bem aclamado pelo público e pela crítica. As referências da banda são diversas, dentre elas; Judas Priest e Iron Maiden. Todos os integrantes da banda se mostram muitos competentes, os guitarristas Tony Truglio e Pete McCarthy transbordam riffs cortantes e certeiros, além de belas dobradas de guitarra, a cozinha comandada por Matt Vinci e Frank Cortese é muito técnica e bem entrosada, além do ótimo vocalista Andy Michaud, com suas linhas vocais poderosas e intensas.
O álbum se inicia com a ótima faixa instrumental “Prodigy” com seus belos duetos de guitarra e um baixo bem preciso, em seguida temos a viciante “Wielding Iron Fists”, uma faixa com uma pegada mais Heavy Metal Tradicional. “Dark Tale” é um Heavy/Speed de alto nível, sem dúvidas uma das faixas mais agressivas do álbum. Em sequência temos a ótima “Amnesty”com seus belos refrões e seu ótimo instrumental. “Rage Of Angels” é uma faixa com forte influência da NWOBHM, mas com boas doses de Power Metal. Dando sequência ao álbum temos “Vials Of Wrath” que segue a mesma linha de “Dark Tale”, uma faixa inspiradíssima com mais elementos do Speed Metal. “Warrior´s Farewell", outra ótima faixa por sinal, segue mais a linha daquele Power Metal tipicamente americano, em seguida a incrível “For The King” com um baixo e uma bateria muito precisa e um excelente refrão. “Legionnaire” encerra o álbum no mesmo alto nível das demais, não deixando pedras sobre pedrada.
Portanto meus caros leitores, eis aqui um excelente álbum de Heavy Metal, mais um que poderia entrar na lista dos injustiçados, mas que merece totalmente a sua atenção, afinal 33 anos não são 33 dias!!!
Tracklist
1. Prodigy
2. Wielding Iron Fists
3.Dark Tale
4. Amnesty
5. Rage Of Angels
6. Vials Of Wrath
7. Warrior's Farewell
8. For The King
9. Legionnaire
Tony Truglio - Guitarra / Pete McCarthy - Guitarra / Matt Vinci - Baixo
Frank Cortese – Bateria / Andy Michaud - Vocal
O Terreiro bateu um papo exclusivo com o guitarrista e membro fundador da banda Tony Truglio. O músico comenta um pouco do passado e dos planos para o futuro da banda. Confiram:
Terreiro:Olá Tony e obrigado por falar com o Terreiro do Heavy Metal. Hoje a banda comemora o 33º aniversário do clássico debut do Liege Lord "Freedom’s Rise", conte-nos um pouco sobre o processo de criação e a gravação do disco?
Tony Truglio: Em 1983 amávamos tocar as musicas de nossas bandas preferidas, Judas Priest, Maiden, UFO, entre outras; mas também já escrevíamos nosso material. Um ano antes de F.R. sair, gravamos uma demo que obteve uma receptividade incrível. Assinamos com a Azra/Iron Works Records e o Jag Panzer já era desta gravadora e eramos muito fãs dos caras. Nossa intenção era gravar um EP de 5 musicas. Na Europa fomos indicados por Christian Logue para assinar com Dragon Records. Eles queriam um álbum inteiro então voltamos pro estúdio pra gravar mais algumas. Tinha acabado de sair da escola e gravar discos era o meu sonho sendo realizado.
Terreiro:Após terem o material finalizado em mãos, vocês faziam ideia de que estavam com um disco que se tornaria uma referência dentro do Heavy Metal? Qual a sensação de ver sua música ainda tão relevante após tanto tempo?
Tony: O álbum foi lançado na Europa, Canada e Estados Unidos. Começamos a turnê e tocamos com as maiores bandas da nossa época, Anthrax, Overkill Savatage e muitas outras. Não havia internet então tínhamos que esperar as revistas e os fanzines saírem para vermos as criticas. Desde o começo tentamos fazer o melhor disco que pudéssemos, mesmo com orçamento apertado. Ver nossa obra sempre apoiada ao longo dos anos e os fãs conosco até hoje faz tudo valer a pena!
Terreiro:Após falarmos um pouco do passado, vamos olhar pra frente, após algumas idas e vindas, a banda está na ativa desde meados de 2012, quais os planos para a banda daqui pra frente, vocês tem intensão em lançar material novo?
Tony: Termos voltado em 2012 foi como um sonho concretizado para mim. Depois de Joe (N.T.: vocal da banda em Master Control de 1988 e atualmente) me sondar sobre reunir a banda, eu e Matthew Vinci concluímos ser a hora certa de fazer o retorno. Matthew, Frank e eu nos juntamos como banda ainda adolescentes e demos nossas vidas por ela.
Os shows tem sido fenomenais. Tocamos um set que contempla os 3 álbuns, como um greatest hits. Ano passado no "Bavarian Metalhead Fest" fizemos apresentamos uma música nova chamada "Outsider". Estamos quase terminando nosso próximo álbum (N.T. provável referência a fase de pré-produção, pois logo em seguida menciona que gravações ainda não começaram). Devemos entrar em estúdio em algum momento para gravar. Nosso novo guitarrista Danny Waker se encaixou perfeitamente durante processo de composição.
Terreiro:Mais uma vez muito obrigado pela atenção Tony, aproveite este espaço para deixar uma mensagem aos fãs brasileiros da banda, tem muita gente que sonha em vê-los por terras brasileiras!
Tony: Quero agradecer a todos os fãs brasileiros pelo apoio e por estarem conosco todos estes anos. Espero que possamos tocar no Brasil em breve. Seria uma honra para nós tocar neste seu belo país. Valeu pelo espaço Terreiro e "METAL ON!!!!!!"
Corria o ano de 1977. Um jovem guitarrista, oriundo da Vila Maria, zona norte da Capital paulista, Junior Muzilli, resolveu montar uma banda para tocar o heavy metal e o hard rock de que tanto gostava. Apareceu um cantor, China Lee. Estava formada a espinha dorsal do que viria a ser o Salário Mínimo, na época, que não era para ser levado a sério. Mas os meninos eram esforçados, o som era legal e começaram a tocar ao vivo. Em 1981, a coisa começou a ficar séria. A formação estabilizou-se com a adição do baixista Magoo e do baterista Beá, e a partir daí desandaram a fazer shows, gravar discos, fazer sucesso. Entraram em hiato, voltaram e hoje, 40 anos depois daquele despretencioso começo, o vocalista China Lee atendeu gentilmente ao Terreiro do Heavy Metal para contar esta bela história, com exclusividade.
O repórter escalado para esta matéria acompanhou de perto a primeira fase da carreira do Salário Mínimo e é a respeito deste princípio que Chilna Lee disserta: "Bem; quem começou com o Salário Mínimo foi o Junior Muzilli, que teve a ideia de montar a banda. Cheguei depois. À princípio não era nada muito sério. Era mais para fazer um som, mesmo, mas, aos poucos foi ficando sério. Chegaram o Magoo no baixo e o Beá na bateria e começamos a fazer shows de verdade, lá por 1981. Começamos a tocar em tudo que era lugar, como você mesmo assistiu vários destes shows. Teatro Lira Paulistana, Teatro Idema, Madame Satã, Teatro Mambembe, Fofinho, Led Slay, enfim, todo o circuito que havia na época, que você conheceu bem. Foram muitos shows, que foram chamando a atenção do público, em especial, o feminino, que ia em grande quantidade. A gente tinha este carisma com o público feminino e, sabe como é; show com bastante mulher, a galera vai em peso e os nossos shows lotavam, o que ajudou muito, porque, você deve lembrar que, naquele tempo, a melhor divulgação era o boca-a-boca".
Realmente; eram tempos rudimentares e quem ia a algum show e curtia, contava aos amigos e assim, o público ia crescendo, show a show. China Lee segue recordando: "Tocamos em diversos locais e eventos. Até que em 1984, na extinta Praça do Rock (N.R.: Evento que ocorria mensalmente na Concha Acústica do Parque da Aclimação, na região central da Capital Paulista, organizado pelo músico Darlan Jr.), o Luis Carlos Calanca (N.R.:proprietário da loja e gravadora Baratos & Afins) gostou do nosso show. Dali nasceu a ideia do que tornou-se o "SP Metal I", onde nós entramos com duas músicas, "Cabeça Metal" e "Delírio Interestelar", que projetaram o Salário ainda mais".
Em 1985, ocorre uma mudança que atingiu a formação, o som, o visual e a produção da banda. A cozinha formada por Magoo e Beá foi substituída pelo baixista Thomaz Waldy e pelo baterista Nardes Lemme. Junior Muzilli recebe a parceria de um outro guitarrista, Arthur Crom. O som passou a tender ainda mais para o hard rock e o visual para o "glam".
O grupo seguiu em trajetória ascendente; a fama cresceu, o grupo começou a ser requisitado para programas radiofônicos e televisivos. Tamanha foi a exposição que, em 1986, China Lee recebeu um convite para protagonizar um comercial televisivo de uma popularíssima marca de xampú.
"Pois é! O sucesso que o Salário estava fazendo, proporcionou a nós, "peões" da Vila Maria, mas que tinham os show repletos de garotas, muitas oportunidades. Uma delas foi essa. Acho que chamava 'Heneé Maru', ou coisa assim. Eu tinha as imagens, mas perdi, uma pena", entristece-se o vocalista. Só que esta tristeza não durou quase nada. Nosso intrépido e solerte repórter, num exercício arqueológico digno de um Indiana Jones, chafurdou nos profundos e arenosos pântanos da internet e presenteou China Lee com o comercial do xampu "Maru Henna. Obvio; o Terreiro do Heavy Metal é conhecido pelo bom humor. Portanto", China Lee, nosso "hero of brazilian heavy metal"; tai o comercial, pra todo o mundo ver. China Lee completa: "O cachê foi legal".
Enfim; a fase áurea da carreira do Salário Mínimo havia eclodido desde SP Metal I e seguia para o alto e avante. A memória de China Lee segue afiada: "A Baratos & Afins percebeu o sucesso do grupo e planejava lançar um álbum nosso, mas estava lançando muitos grupos, como os nossos amigos d'A Chave do Sol, do Harppia, Platina e outros; gravadoras "majors", também demonstraram interesse e, dentre elas, a RCA, que contatou o Luis".
Luis Carlos Calanca mete o bedelho na entrevista: "O Salário estava indo bem e a RCA oferecia boas condições para os meninos. Não tinha porque segurar. Liberei na hora".
China Lee também tem suas recordações: "Realmente; as gravadoras começaram a se interessar e fazer suas propostas. A RCA procurou o Calanca e ele liberou a gente, mostrando que queria mesmo era ver o crescimento do que ele havia lançado. Então, assinamos com a RCA, que ofereceu condições bem legais de gravação e oferecia um projeto de promoção, com muito rádio e TV. Aparecemos muito na imprensa especializada e um pouco na "comum".
Em 1987, portanto, há 30 anos atrás, "Beijo Fatal" era lançado. Um bom álbum, com boas canções e uma produção boa para uma empresa que nunca havia trabalhado com música pesada antes, começou a fazer sucesso, com a faixa-título, "Jogos de Guerra", "Dama da Noite" e a regravação de "Rosa de Hiroshima", de mestre Vinicius de Moraes.
"O disco, segundo o relatório de vendas da RCA, vendeu 79.000 cópias, uma ótima vendagem para o primeiro álbum de uma banda", declara China Lee com humildade, mas o álbum teve relançamentos e continuou sendo vendido no decorrer dos anos. Por baixo, deve, hoje em dia, estar por volta de 140/150.000 cópias, o que garantiria ao grupo, no mínimo o Disco de Ouro, se o mundo fosse um lugar justo.
Acontece que, para ampliar ou manter o sucesso obtido é necessário que uma banda mantenha-se lançando álbuns, o que, infelizmente, não é o caso do Salário Mínimo. "O Salário é, realmente, uma banda de pouquíssimos discos, mas, os poucos que fizemos, fizemos o melhor qhe pudemos, daí vem uma parte de nosso sucesso, mas a nossa força, na verdade, vive nos shows", declara o cantor.
Assim sendo, o tempo foi passando, as aparições na mídia minguando, o público roqueiro mudando.
Em 1990, Junior Muzilli deixa o grupo. "Foi um baque! Continuamos por algum tempo como quarteto, mas, infelizmente, com o passar do tempo, decidimos encerrar as atividades do Salário. Não havia mais estímulo para continuar. Eu havia conhecido o Micka (N.R.: Ricardo Michaelis, ex-guitarrista do Santuário), que é um grande guitarrista e compositor e, como estavamos interessados em fazer um som similar, montamos o Extravaganza, que tinha um som mais puxado para o hard rock e, até mesmo para o AOR, sabe? Era um som que realmente nos agradava e trabalhamos duro por esta banda, fizemos muitos shows e lançamos um disco, "O Prazer é Seu", que, infelizmente acabou nao tendo o sucesso que nós esperavamos. Por fim, a banda acabou, mas restaram boas lembranças".
Com o fim do século XX o vocalista, que sempre ouvia insistentes pedidos do público pela volta da banda, começou a acalentar esta ideia. Tal objetivo foi atingido em 2004. "Juntei-me ao guitarrista Kenzo Shimabukulo e outros bons músicos e retomei a carreira do Salário Mínimo. Contamos com grandes músicos, como Marcelo Ladwig (bateria) e, depois, o Junior Muzilli voltou, estando conosco até hoje, junto com o guitarrista Daniel Beretta, o baixista Diego Lessa e o baterista Marcelo Campos, que substituiu Ladwig. Começamos a tocar em festivais do nível do Roça'n'Roll (Varginha/MG), A Quaresmada (Brasília/DF) e o Super Peso Brasil, por exemplo.
Em 2010 lançamos o álbum "Simplesmente Rock", que mostra o som do Salário de hoje (o repórter que vos escreve destaca a canção "Fatos Reais" deste álbum, mas o mesmo é todo bom). Em nossa carreira tivemos a honra de abrir shows para o Uriah Heep, o Scorpions, o Twisted Sister e o The Rods (banda de Dave Feinstein, primo de Dio) e aprendemos muito com estas oportunidades. Continuamos a fazer um bom número de shows por mês e pretendemos realizar o pedido dos fãs de lançar um novo álbum.
Nós, do Terreiro, também aguardamos este novo álbum ansiosamente.
Agradecemos à China Lee pelo bate-papo e homenageamos, com esta singela matéria a este cantor, de 52 anos de idade, pai da pequena Manuela, chamado China Lee e a este monstro sagrado do rock brasileiro chamado Salário Mínimo, pelos 40 anos dedicados ao Rock.